Let's travel?

Let's travel?
Entre sem bater.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ahh, o verão...!

"Ahhh, o verão! Dizem que é a estação da perdição... é porque é no verão que você faz tudo aquilo que você vai contar para os seus netos, bisnetos, tataranetos um dia… Dormir de cueca, dormir de calcinha, é só no verão; Viajar para a montanha, para a cachoeira, para o balneario é só no verão… é no verão que o amor floresce, o amor à preguiça, amor ao sol, ou até mesmo amor a uma cirigaita ou uma duzia de cirigaitas, porque não?! Seja otimista rapaz, é verão! Vai contar o que para o neto? Que ficou jogando o dominó?
Não…vai contar que pulou da pedra, comeu churrasco, deu cambalhotas… Essas coisas que a gente só faz no verão! Ahhh verão… o verão é agora!"

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A hora da estrela - p. ?

"Não havia meio – pelo menos eu não posso – de obter os multiplicantes brilhos em chuva chuvisco dos fogos de artifício. Devo dizer que ela era doida por soldado? Pois era. Quando via um, pensava com estremecimento de prazer: será que ele vai me matar? Se a moça soubesse que minha alegria também vem de minha mais profundo tristeza e que tristeza era uma alegria falhada. Sim, ela era alegrezinha dentro de sua neurose. Neurose de guerra. E tinha um luxo, além de uma vez por mês ir ao cinema: pintava de vermelho grosseiramente escarlate as unhas das mãos. Mas como as roia quase até o sabugo, o vermelho berrante era logo desgastado e via-se o sujo preto por baixo. E quando acordava? Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois é que pensava com satisfação: sou datilógrafa e virgem, e gosto de coca-cola. Só então vestiase de si mesma, passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser."

- C.L.

sábado, 11 de dezembro de 2010

MUDANÇA

"Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda ! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!"

- C.L.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A hora da estrela - p. 38

"Tinha o que se chama de vida inteior e não sabia que tinha. Viva de si mesma como se comesse as próprias entranhas. Quando ia ao trabalho parecia uma doida mansa poruqe ao correr do ônibus devaneava em altos e deslumbrantes sonhos. Estes sonhos, de tanta interioridade, eram vazios porque lhes faltava o núcleo essencial de uma prévia experiência de - de êxtase, digamos. A maior parte do tempo tinha sem o saber o vazio que enche a alma dos santos. Ela era santa? Ao que parece. Não sabia que meditava pois não sabia o que queria dizer a palavra. Mas parece-me que sua vida era uma longa meditação sobre o nada. Só que precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela. Meditava enquanto batia à máquina e por isso errava ainda mais."

- C.L.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A hora da estrela - p. 17

"Transgredir, porém, os meus próprios limites me fascinou de repente. E foi quando pensei em escrever sobre a realidade, já que essa me ultrapassa. Qualquer que seja o que quer dizer “realidade”. O que narrarei será meloso? Tem tendência mas então agora mesmo seco endureço tudo. E pelo menos o que escrevo não pede favor a ninguém e não implora socorro: agüenta-se na sua chamada dor com uma dignidade de barão."


- C.L.

A hora da estrela - p. 16

"Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. Mal ouso clamar palavras a essa rede vibrante e rica, mórbida e obscura tendo como contratom o baixo grosso da dor. Alegro com brio. Tentarei tirar ouro do carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta."

- C.L.

A hora da estrela - p. 15

"Quero antes afiançar que essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa. Se tivesse a tolice de se perguntar 'quem sou eu?' cairia estatelada e em cheio no chão. É que 'quem sou eu?' provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto."

- C.L.

A hora da estrela - p. 34

"Sendo assim, obedientemente adoecia, sentindo dores do lado esquerdo oposto ao fígado. Pois era muito impressionável e acreditava em tudo o que existia e no que não existia também. Mas não sabia enfeitar a realidade. Para ela a realidade era demais para ser acreditada. Aliás a palavra 'realidade' não lhe dizia nada. Nem a mim, por Deus."

- C.L.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A fuga do escorpião - I

"Meu coração não batia forte, apesar da raiva. Não hesitei nas palavras. Encarei-o enquanto dizia. Sem paixão. O que pudesse estar pensando, enquanto ouvia; o que poderia dizer, quando eu calasse, não interessava. Éramos iguais. *À força de reconhecer o alicerce da minha defesa, descobri outra coisa naquele dia: tornara-me irremediavelmente adulto. Não havia retrocesso. Teria de assumir a responsabilidade de meus atos (certos ou errados). Viver com ela. A plena consciência de ser responsável por mim, no sentido mais amplo, me fez sentir a indestrutível solidão de que estava vestido. Tudo o que ocorresse do meu corpo para fora, ou de fora para dentro de mim, percorria caminhos perigosamente meus. Só meus. Não era questão de permitir que outros interferissem. Não poderiam, mesmo querendo. Eu era eu. A certeza não impediu que soasse um gongo de receio. A vibração durou o tempo de espalhar-se e diluir-se."

A fuga do escorpião - II

"Era sábado. Esperamos o dia sumir, entre vermelhos que nos chamaram a atenção, comandaram silêncio. Estávamos sentados no terraço, em cadeiras separadas. Vigiei o rosto miúdo, o sorriso estático de puro prazer de estar olhando o crepúsculo. Senti-o comigo. Em mim. Mais: eu nele. Naquele momento, quis que fôssemos um só. Sempre. Levantei-me e fui beijá-lo, ao que ele recebeu fechando os olhos. Me perguntou por que o fizera. “Porque eu pensei em nós aqui, assim, daqui a cinco anos, dez anos, vinte anos – e a ideia me pareceu muito legal.” Ele beijou minha mão em vez de responder."

A fuga do escorpião - III

"Disse que eu era a única coisa válida que lhe interessava em termos de vida. O resto que se danasse. Não permitiria, e repetiu, não permitiria que nada, nem ninguém, nos sombreasse, afligisse, carcomesse. Eu era a sua força, o que me fez estremecer, como se tivesse descoberto que o estava enganando. Suspeitei: uma das fragilidades do amor era esta necessidade de interdependência, que emprestava às metades o que, possivelmente, nem tivessem. (Ou seria a sua grande força?) Enfim, seria preciso calar quanto às minhas fraquezas, não revelar que a energia maior que ela. Se eu lhe dava o que necessitava, como ele a mim, éramos pedaços encaixados da mesma peça partida. Talvez fosse isso, então, amor. Dois formando a força de um. Sendo um. Pareceu-me pouco. E demais."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Love is weird.

- Do you love me?
- What does it change?
- It changes lots of things.
- Like what?
- If you don't love me, I won't want something else with you. [
- And do you want it?
- I suppose I do.
- So, when you be sure about it, you tell me.
- I think I am sure. Won't you answer my question?
- Yes, I love you.
- And what about you? Do you want something else with me?
- I ever wanter it.
- No, you didn't.
- You're right, I didn't.
- So, answer my question.
- Which question?
- I won't ask you again. I am kind of shy.
- Oh, come on. If you don't ask me, I won't be able to answer it.
- Ok. So, I'll ask you again now. Do.. you.. wanna... date.. me?
- Yes, I do. But are you sure you really want it?
- Yes, I am. I love you.
- I love you, too, dearest. Maybe it's true that I can't live without you. Maybe two is better than one.

And, then, I recognised the most honest smiles I've ever seen. Love is weird.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

C.D.A.

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade".

Wllian Shakespeare.

“Aprendi que não importa o quanto eu me importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. Aprendi que eu posso fazer, em instantes, coisas das quais me arrependerei pelo resto da vida. Aprendi que os membros de minha família são os amigos que não me permitiram escolher. Aprendi que vou levar muito tempo para eu me tornar a pessoa que quero ser. Aprendi que eu posso ir mais longe depois de pensar que não posso mais. Aprendi que ou eu controlo meus atos ou eles me controlarão. Aprendi que só porque alguém não me ama do jeito que eu quero não significa que esse alguém não me ame com tudo que pode. Aprendi que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, tenho que aprender a perdoar a mim mesmo. Aprendi que não importa em quantos pedaços meu coração foi partido, o mundo não pára para que eu o conserte. Aprendi, apenas aprendi.”

C.F.A.

“Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.”