Let's travel?

Let's travel?
Entre sem bater.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma questão de personalidade.

. . Orgulho, egocentrismo, mutabilidade, impulsividade. Costume de sofrer sem ninguém saber, hábito de falar demaseadamente, gostos meio fora do comum . . Rafaela .

. . Diplomacia, elegância, bom senso, simpatia, justiça, educação. Hesitação, indecisão, necessidade de agradar, dificuldade com conflitos . . Libra.

. . Tendência à estética e a motivação pelo prazer e conforto; necessidade de segurança, estabilidade material e, também, afetiva. Objetividade, praticidade, produtividade, persistência, sensibilidade, desejo constante de ter sempre mais. . ascendência em Touro .

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Todas as Cartas de Amor são Ridículas - Álvaro de Campos

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

terça-feira, 9 de março de 2010

Após...

Mudar, mudança, mudado. Rotina muda, amores eternos acabam. Nem mesmo a eternidade é eterna. Mudam-se os pensamentos, os sentimentos, os gostos, o estilo. Mudam-se as roupas, mudam-se os amigos, os livros pelos quais nos interessamos. Os namoradinhos da adolescência com quem fiz tantos planos para o futuro, hoje não sei mais onde estão ou o que fazem. Já passei por momentos tão intensos que achei que não conseguiria sobreviver sem aquilo. Como viver sem ir aos ensaios de teatro, ou sem ir ao colégio? E hoje vivo. Por que mudam também nossa cabeça, nossa maturidade e nossas emoções. Nossas necessidades são outras, nossos prazeres são outros, nossas prioridades são outras. Devemos gostar do que fazemos neste momento, e não esperar o futuro para viver; devemos nos sentir satisfeitos diariamente – tendo ganância, é claro – mas contentes naquilo que fazemos todos os dias. Devemos lembrar de tudo o que já fizemos até um minuto atrás, devemos contar histórias e rever fotos. Devemos chorar de saudade, devemos ter vontade de abraçar todos aqueles de quem já gostamos um dia, aqueles com quem já passamos bons momentos, devemos reler cartas. Devemos trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Por que e para que estamos aqui nem mesmo Einstein ou Platão conseguiu descobrir. Pensar enlouquece, então devemos optar entre sermos loucos ou adeptos da humanidade. Por isso, penso e aceito, aceito e amo. Não vale a pena tanta seriedade, tanta briga, ou mesmo tanto dinheiro em um lugar onde desconhecemos absolutamente tudo, absolutamente todos. Então vamos rir, vamos abraçar, vamos sair, comer, amar, viver. Vamos amar. Vamos viver. Porque a vida começa após a vida. Somente após a vida.

R.L.A.

Plágio, plagiar, plagiado.

"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho"

Eça de Queiroz, O Primo Basílio

segunda-feira, 8 de março de 2010

Raio de sol

E então, naquele momento, um raio de sol invadiu minha propriedade – e como era lindo o meu raio de sol! – Trouxe com ele tantos substantivos de cujo sabor eu havia esquecido. Havia esquecido do sabor que tinha a paz, a esperança, a felicidade e a tranquilidade. Havia esquecido do sabor que tinha o a amor. E a compreensão, e o carinho, e a atenção. Antes do raio de sol eu havia sentido pontadas de uma faca chamada solidão. Quanto de mim o raio de sol havia renovado... me confortou quando eu pior me sentia. Afinal, quantas não eram as mudanças que ocorriam dentro e fora de mim! Talvez eu jamais nem nunca mais passaria por tanto tumulto em tão curto espaço de tempo. Tudo em mim mudou. Tudo para mim mudou. ‘Mudaram os horários, hábitos, lugares, inclusive as pessoas ao redor.’ Tudo mudou. Tudo. Só não mudou o brilho que era só e somente do meu raio de sol.

Para meu secreto raio de sol,

R.L.A.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Só, somente, sozinho, solidão.

“Fiquei sentada ali e, depois de um tempo, percebi que nunca havia me sentido tão sozinha em toda a minha vida. Eu queria estar cercada por todas as pessoas que eu conhecia e com quem me importava. Queria ser abraçada e confortada por elas. Mas nem sei se isso me contentaria. Percebi que bem lá no fundo de mim havia uma parte que sempre estaria sozinha: do nascimento à morte e ainda além; toda pessoa tem alguma coisa que é só dela e de mais ninguém.
Foi assustador perceber que eu tinha essa pequena parte de solidão em mim, mas acho que isso tem a ver com meu amadurecimento: saber que eu fazia parte de uma família, de uma rede de amigos, mas que isso não era tudo. Eu tinha uma existência independente das outras pessoas que me amavam e me cercavam. Era uma ideia de solidão, mas que não era necessariamente ruim.”

Um dia...

“Um dia, um professor nos diz qual é o sentido da vida e a gente boceja e olha para o relógio tentando calcular quantos segundos faltam para o sinal tocar. Outro dia, uma professora diz alguma coisa óbvia ou alguma coisa que você já ouviu um milhão de vezes e você pensa ‘Nossa! É verdade mesmo! Ela está certa: a variedade é o tempero da vida.’ Ou qualquer coisa assim...”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

À espera de

Vivemos esperando. A espera é o que nos faz reunir forçar para lutar dia a dia, semana a semana, ano a ano. Esperamos o colegial, esperamos o resultado do vestibular, esperamos a carta de motorista. Esperamos amor, esperamos carinho, perdão, compreensão, atenção. Esperamos ligações, esperamos convites, cartas, bilhetes, recados. Esperamos a graduação, esperamos uma entrevista de emprego, esperamos uma promoção, um aumento, uma palavra de reconhecimento. Esperamos a aposentadoria, esperamos viajar o mundo, esperamos mudar o mundo. Esperamos ter tempo, tempo pra que? Esperamos tempo para esperar. A plenitude é algo meramente imaginário. É a espera que move os pensamentos, a rotina, o coração. Esperar, esperança. A esperança de um governo melhor, de um mundo melhor, de um relacionamento melhor, uma aparência melhor, uma cultura melhor. A esperança de ser inteligente, de ser diferente, de ser mais. A esperança de dias melhores, a esperança de paz, a esperança de felicidade. A esperança de ser mais. E mais, e mais, e mais.

R.L.A.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Inspirar, inspiração

"Mude. Mas comece devagar, pois a direção é mais importante do que a velocidade."

"O que o ser humano mais aspira é tornar-se humano."

"Cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. [...] Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha... Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas."

"Não se preocupe em entender: viver ultrapassa qualquer entendimento."

"Sou como você me vê. Posso ser leve como a brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê."


"As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos."

"O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma eternidade."


- Clarice Lispector

Se discute

Não gosto de domingo, não gosto de peixe, não gosto de Fórmula I nem de filmes de ação. Não gosto de sopa, não gosto de Passatempo recheado, não gosto de rock pesado, não gosto de mato, não gosto de frio nem de calor. Não gosto de atender telefone, não gosto de romantismo piegas, não gosto de flores, não gosto de piercing na língua nem de piercing na sobrancelha. Não gosto de aves, não gosto de fazer pesquisas , não gosto de bolo de nozes. Não gosto de Pepsi, não gosto de demonstrar fraqueza, não gosto de Twitter. Não gosto de correntes no e-mail, não gosto de e-mails e discussões sobre religião. Não gosto de modismo, não gosto de cabelo comprido em homem, não gosto de pessoas efusivas, pessoas estressadas, pessoas intransigentes nem de pessoas escandalosas. Não gosto de meninas frescas, não gosto de homens grudentos, não gosto que me tratem como criança nem que me tratem como adulto. Não gosto de receber ordens, não gosto de obedecer, não gosto de mau-humor. Não gosto de homofóbicos, não gosto de esquerdistas, não gosto de revoluções. E só falta eu falar que não gosto de internet nem de mim mesma, mas essa parte eu não vou falar...

R.L.A.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Não se discute...

Gosto de água tônica, de chá gelado, de café e de gatorade. Gosto de andar de carro, de andar descalça e de andar no metrô vazio. Gosto de sertanejo, gosto de MPB, de pagode, de Strike, de Ana Carolina e de Fresno. Gosto de piscina, gosto de ler, gosto de escrever, gosto de tartarugas e de mensagens de texto no celular. Gosto de teatro, gosto de cinema e de tênis de mesa. Gosto de estrogonofe, de macarrão, gosto de coração de galinha, de Habibs e de salada. Gosto de Harry Potter, de Crepúsculo e de High School Musical. Gosto de Machado de Assis, gosto de Clarice Lispector, gosto de Carlos Drummond de Andrade e gosto de Vinicius de Moraes. Gosto de espiritismo, gosto de conversar, de receber elogios, de receber atenção, de ganhar presentes e gosto de me sentir útil. Gosto de letras de música, de línguas estrangeiras, de gibis, de livros de ficção e de novela. Gosto de BBB, gosto de Chaves e gosto de seriados dublados de TV aberta. Gosto de agendas e revistas para pré-adolescentes, gosto de manteiga de cacau, de beijo na testa e de lápis de olho. Gosto de chapinha, gosto de esmaltes, de perfume masculino e de acessórios de prata. Talvez eu até goste de você.

R.L.A.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

JÁ

Já acreditei em mentiras, já desacreditei de verdades, já me rebelei contra o mundo e já tive convicção de que o mundo havia se rebelado contra mim. Já fiz promessas e não cumpri, já iniciei dietas vários dias seguidos, já escrevi cartas para mim mesma. Já fingi um sentimento, já disse palavras de carinho da boca para fora, já senti inveja. Já me culpei por erros cometidos, já culpei pessoas inocentes e já inocentei culpados. Já fui ingrata, já chorei escondida, já chorei por amor, por ódio, por felicidade, por raiva, por música, por tristeza, por saudade, por surpresa, por emoção, por desespero. Já me apaixonei por quem não deveria, já achei que o errado fosse o certo, que o certo fosse o errado, já achei que seria para sempre. Já rejeitei, já fui rejeitada, já sofri, já fiz sofrer. Já errei e já acertei, já lutei e venci, já lutei e fui derrotada, já fui derrotada e levantei. Já gostei de alguém só de olhar, já tive primeiras impressões equivocadas, já gostei de quem me queria mal. Já julguei, já briguei sem motivo, já perdoei e já fui perdoada. Já me arrependi, já decepcionei, já fiz sentirem orgulho de mim e já fiz meu orgulho falar mais alto. Já agi por impulso, já aconselhei, já segui conselhos, já ignorei sabedorias. Já cheguei ao extremo da exaustão, já fiquei angustiada a ponto de doer, já me senti flutuar de felicidade. Já tive medo, já incentivei e já fui incentivada, já quis continuar e desisti, já quis desistir e continuei. Já vivi, e vivo. Já vivo, e viverei. Viver? Ei.

R.L.A.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Infinitamente particular, particularmente infinita

Ela nunca foi do tipo de garota que chama a atenção ou se destaca dentre as demais. Pelo contrário: em meio a outras da sua idade, ela ficava peculiarmente ofuscada. Não era bonita demais nem feia demais, não era baixa ou alta demais. Seus cabelos e suas unhas não eram curtos, nem compridos. Não era gorda, magra, morena ou loira. Ela era simplesmente um meio termo de todas as características. De quando em vez ela largava os óculos, adotava salto, esmalte vermelho, soltava os cabelos; brincava de ser mulher. Mas ela era realmente ela mesma quando estava vestida em suas roupas gastas, com o cabelo mal-preso, os óculos, lápis e papéis sendo seus melhores aliados. Ela não se preocupava com o fato de não ser a mais deslumbrante, a mais inteligente ou a mais engraçada. Preocupava-se, apenas, em ser gostada com todos os seus defeitos (que não eram poucos!), em aprender com cada gesto, fato e palavra, evitando o que a agredia e buscando o equilíbrio que uma boa libriana almeja. Não tinha muitos amigos, mas também não tinha poucos. Claro, tinha aqueles 4 ou 5 que estavam sempre com ela, para quem ela choramingava, com quem ela contava e oferecia seu ombro. E tinha sua família que, embora pequena, tinha membros por quem ela possuía infinita admiração e com quem ela possuía inigualável afinidade. E, assim, dia a dia, segundo a segundo, ela foi aprendendo as duas coisas que ela considera as mais importantes: a crescer sempre, independente de tudo e que sozinha ela não ultrapassaria sequer as fronteiras auto-impostas.

R.L.A.

Plágio

"Em seu abrigo, esconderijo alternativo. Percebera que se dava melhor com as palavras do que com os humanos. Talvez, melhor, certamente, porque sobre as palavras ela possuía domínio. Ela naquele lugar com entrada para raros encontrava, ao pensar, sutis diferenças entre viver e escrever. A contradição entre os verbos acontecia que, ao escrever, podia mudar vírgulas e começos e entonações e apagar e rever as falas e pensar sempre antes de expressar e refazer. Já a sintonia estava no fato de podermos escolher o como e o quem, poder aperfeiçoar e mudar os meios para mudar os fins. Enfim, por mais que preferisse seu lápis e um pedaço de papel, ela ainda amava incondicionalmente a vida."

- Giovanna Malavolta.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aprendendo a amar

Ela valorizava muito mais a si própria do que aos outros, não sabia o significado da palavra ciúme, não sabia a diferença entre bem e mal e tinha repulsão a comer peixe. Conforme o tempo foi passando, ela aprendeu que ciúme é medo de perder quem se gosta e talvez ela não soubesse disso antes porque nunca havia de fato gostado de alguém. Aprendeu que sem os outros ela mesma não era ninguém, então ocasionalmente (quase sempre!) ela deveria colocar os outros na frente de si mesma. O que ela sabia sobre si era muito pouco: era o que ela sentia, o que falavam sobre ela e o que o espelho a mostrava. Por quantas vezes ela magoou, decepcionou e chateou... e por tão poucas vezes percebeu que a haviam magoado, decepcionado, chateado! Ela olhava tão pouco para fora de si que raras as vezes via o que se passava diante de seus próprios olhos. Ela percebeu que nunca é tarde, que nosso tempo a gente faz e que o tempo dela deveria ser quando. Lembrava de seus sonhos de criança, agora parecem tão bobos. Lembrava das perguntas que a incomodavam, agora as respostas parecem tão óbvias! Desejos às estrelas e nos nós de fitinhas não viram realidade: que ironia! Ela não sabe nada sobre Deus, sobre a humanidade nem sobre si própria: que desespero! Aquela que pensava saber de tudo vê que hoje ela não sabe de absolutamente nada. Sabe apenas que deve fazer o bem e ter uma pontinha de ciúme de quem ela ama, e sabe que comer peixe não é lá tão ruim assim.

R.L.A.