Let's travel?
Entre sem bater.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Meus dois baús - parte II
Haviam se passado exatamente 7 meses. 7 meses desde que eu tinha tomado minha grande decisão. E já fazia alguns meses desde que eu havia te guardado naqueles dois baús... lembra deles? Um dentro de mim e outro no meu quarto. Baús lotados, quase transbordando de memórias e sentimentos. Tudo estava guardado. Preciso dizer que tomei coragem. Em um dia anormal de extrema força, peguei o baú do meu quarto e decidi que o jogaria fora. Abri-o, rasguei carta por carta, foto por foto, lembrança por lembrança. Fui destruindo cada coisinha que eu havia guardado com tanta dor. A cada elemento que eu destruía, eu destruía junto um pedaço dos sentimentos que estavam guardados no baú do meu coração. Ao terminar meu trabalho, confesso que me restou um vazio enorme. Tanto no peito quanto na prateleira do quarto. Os dois baús não estavam mais lá. Eu havia, finalmente, decidido retirar você de mim. Havia, finalmente, decidido seguir minha vida. Decidido que não haveria mais volta. Resolvi aceitar isso, aceitar de verdade o fato de que nossa longa história havia chegado ao fim. Não, não haveria casamento. Não, tudo o que compramos pro "nosso" apartamento já não iria mais pro "nosso" apartamento. Não, a filha que eu planejava ter não seria sua também. Agora era somente eu e somente você. Todos os nossos planos haviam sido cancelados, e não adiados. Decidi aceitar que foi um conto de fadas com começo, meio e fim. Começou com "era uma vez" mas não terminou com "felizes para sempre". Terminou com cada um seguindo para uma nova história, duas novas histórias, e um não apareceria mais na história do outro. Estava tudo finalizado, como deveria ser. Agora que eu aceitei isso, tudo fica mais fácil e mais claro. Confesso que ainda me dói quando, sem querer, ouço sua voz falando com meu irmão ou quando me deparo com uma foto nossa. Ainda me dói ver fotos suas atuais, dói ver como você mudou pra melhor e como eu continuo a mesma de sempre. Mas mesmo que ainda doa, seguir sem você foi o que eu decidi fazer. Você fez parte da minha história, me ajudou a crescer e me provou que o amor existe, sim. Me provou que as pessoas são capazes de amar de verdade, algo que eu sempre duvidei antes de te conhecer. Agora resolvi aceitar, de verdade, o nosso fim. Os baús foram jogados fora, triturados e aterrados em algum lugar esquecido pelo mundo. Agora sou só eu. Agora é só você. E eu já aceitei a ideia de que o "nós" nunca mais vai existir.
Pessoas são estranhas - parte I
Pessoas são estranhas - essa é uma das minhas frases preferidas. Mas há muito mais. Pessoas erram. Pessoas mentem. Pessoas agem por impulso. Pessoas têm jeitos bem esquisitos de amar e jeitos bem piores de demonstrar o amor. Pessoas gostam de ter tudo sob controle, pessoas são confusas e às vezes nem sabem ao certo o que querem. Pessoas são calculistas e podem aparentar frieza. Pessoas têm os mais diversos e profundos medos e, pior: muitas vezes tentam esconder suas fraquezas fingindo ter força o tempo inteiro. Pessoas são estranhas, e como são. Pessoas agem de maneira estranha e têm maneiras estranhas de amar. Prazer, eu sou uma "pessoa".
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Por que não deu certo e o que eu quero pra mim
Quando estamos dentro de uma situação, em geral não conseguimos enxergá-la por inteiro e somos suspeitos para julgá-la. Foi o que aconteceu comigo. Hoje, totalmente de fora, e sem nenhum tipo de sentimento envolvido, consigo enxergar exatamente o que estava acontecendo e por que acabou. O que eu vivia não era exatamente um relacionamento. E todos me diziam isso, mas eu não queria aceitar, nem mudar. O que eu vivia era uma bolha onde só havia espaço para uma pessoa. Nós éramos duas pessoas, então tivemos de nos fundir e virar apenas um, para caber na bolha. Viramos uma pessoa só, em um mundo totalmente particular e sem acesso. Sem portas, sem janelas. Uma hora ou outra, o oxigênio iria acabar, e foi o que aconteceu. Demorou alguns anos, mas acabou. Faltou o ar. Sufocou. Eu fui a primeira a passar mal, e estourei a nossa bolha que você havia construído. O que eu quero é alguém ao meu lado, e não alguém que me enfie em uma bolha. O que eu quero é alguém que ande ao meu lado, e não atrás de mim. O que eu quero é alguém que me deixe viver, me deixe respirar, me deixe ter amigos, e faça tudo isso também. Quero alguém que dê mais ar aos meus dias, e não menos dias ao meu ar. Preciso de alguém que saiba viver. Alguém que vá comigo aos lugares, e não me prive de ir ou me convença a não ir. Perdi muitos momentos que jamais voltarão. Agora vou atrás de novos momentos, e percebo cada vez mais que não preciso, necessariamente, estar solteira para estar vivendo. Posso ter alguém que viva, também. Que viva e me deixe viver, que viva comigo. Vá a lugares comigo, seja amigo dos meus amigos. Alguém que confie em mim e mais do que isso, confie em si mesmo. Alguém que acredite na força do meu amor, e não precise me trancar em uma bolha para garantir os meus sentimentos. É isso que eu quero, e é por isso que não deu certo. Que sirva de lição...
Essa guerra fria dentro do meu peito...
Aqui está metade de mim, novamente. Esperando ansiosamente por mensagens suas, vendo suas fotos com um brilho tosco nos olhos, ouvindo músicas e pensando em você, imaginando coisas, imaginando nós. Posso afirmar que já fazia alguns anos que isso não ocorria... E a última vez que ocorreu, bom, todos sabemos no que deu. Resultou em quase 40 meses de muita intensidade. E agora, após sete meses e quatro dias de um total vazio de sentimentos, ocorreu algo que uma hora iria acabar ocorrendo. Um projeto de sentimento parece começar a nascer dentro de mim. E metade de mim fica bem feliz de ter alguém com quem sonhar, mesmo que seja uma ilusão, mesmo que no fim não seja nada. Mas aí chega aquela minha outra metade, aquela da qual até eu mesma sinto medo. Aquela metade que só espera o pior, que prefere não viver algo bom com medo das consequências que virão. Aquela minha metade que é fria, calculista e pessimista. Aquela minha metade que não acredita no amor, nem nas pessoas, muito menos nos homens. Aquela minha metade que prefere a solidão. Essa metade aparece pra me confundir. E fica essa guerra fria. Metade de mim é amor e gosta de sonhar. A outra metade prefere impedir todo esse sentimento bom, pra evitar qualquer tipo de sentimento ruim. Como se fossem o anjinho e o diabinho me aconselhando. Ainda não sei qual das duas partes é o bem e qual é o mal. Qual metade está certa? Difícil dizer. Qual metade vai prevalecer? Bom... isso é você quem vai dizer.
25/01/2016
25/01/2016
Felicidade tem cheiro
Felicidade tem cheiro. Tem cor e tem gosto também. É você olhar para um ser e pensar que aquilo não pode ser real, porque é simplesmente surreal. É olhar para aquele rosto e pensar que parece que foi feito com régua, transferidor, compasso, de tão perfeito que é, de tão perfeitos que são os traços, os olhos meio cor de mel, tudo, tudo. E a voz arrepia. E o cheiro que fica em você, você tem vontade de nunca mais tomar banho para que aquele cheiro não saia. Até o jeito meio atrapalhado te faz rir. Um passado que te desperta e você deseja saber cada detalhe, uma história de vida que te interessa em cada detalhe. É estranho. Tão perto e tão distante. Tão bom e tão errado. Me parece inaceitável, é uma sensação diferente de tudo o que já vivi. Eu, tão confiante, tão certa de tudo, me pego pensando: "será"? Se é eu não sei, se não é, também não sei. E nem quero saber. Vou continuar vivendo, acordando e indo à luta mais feliz porque te conheci. Por quanto tempo não sei, e também não me interessa. Vou viver enquanto é tempo, sabendo que a felicidade tem cheiro. E o seu cheiro me lembra o dela.
09/08/2015
09/08/2015
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Torta de amora
"Quando eu te vi fechar a porta, eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar... Onde a Dona Maria mora, porque ela me adora, e eu sempre posso entrar...
Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho seu cabelo, falar com o Seu Zé... e me ver caindo em cima de você, como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer...
E aí, só nós dois no chão frio, de conchinha bem no meio-fio... No asfalto riscado de giz... imagina que cena feliz!
Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom... Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé...
Na autópsia daria pra ver... como eu... só morri... por você...
Quando eu te vi fechar a porta, eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar. Em vez disso eu dei meia-volta, e comi uma torta inteira de amora no jantar..."
- Clarice Falcão - "Oitavo andar"
Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho seu cabelo, falar com o Seu Zé... e me ver caindo em cima de você, como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer...
E aí, só nós dois no chão frio, de conchinha bem no meio-fio... No asfalto riscado de giz... imagina que cena feliz!
Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom... Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé...
Na autópsia daria pra ver... como eu... só morri... por você...
Quando eu te vi fechar a porta, eu pensei em me atirar pela janela do oitavo andar. Em vez disso eu dei meia-volta, e comi uma torta inteira de amora no jantar..."
- Clarice Falcão - "Oitavo andar"
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Mais um sobre o tal do Tinder
Como uma boa (futura) Psicóloga, me tornei uma pessoa cada dia mais observadora e analista do comportamento humano. O tal do Tinder é muito interessante pra perceber como as pessoas costumam se relacionar e como encaram isso. Estava fuçando os perfis e eis que me deparei com uma pessoa sem foto. No lugar da foto, era um texto em que ele dizia que procura alguém para se relacionar que gostasse dele pelo que ele era realmente, e não considerasse seu lado físico. Dizia, ainda, que não fazia aquilo porque se achava feio, e sim por acreditar que só importa o que existe por dentro. Aquilo me intrigou. Dei um like nele, e deu "match". Conversando com ele, ele adiou ao máximo pra me mostrar a foto. Refleti bastante sobre isso. Cheguei à conclusão de que é claro que o físico importa. Não estou dizendo que só é bom quem cabe nos estereótipos de beleza, nada disso. Mas é pelo físico que nos atraímos num primeiro instante. Cada um possui um "tipo" que lhe atrai, e isso é absolutamente natural! Qual o problema nisso? Entendo que a pessoa não queira se relacionar com alguém fútil que só procura uma pessoa linda e perfeita fisicamente para usar como um trofeu para exibir. Mas essas pessoas são exceção. A maioria se relaciona com alguém de que goste, por dentro e por fora. E isso é algo absolutamente individual. O que é bonito para mim, pode não ser para você. Ou eu posso achar alguém lindo, mas não ser o meu "tipo". Por exemplo, eu não me sinto atraída por homens com barriga de tanquinho. Não me sinto atraída por pessoas de olhos azuis. E por aí vai. Ué, um homem louro, de olhos azuis e barriga tanquinho não seria o sonho de consumo de qualquer mulher? Claro que não. É óbvio que faz o tipo de algumas, mas não de todas. E qual o problema nisso? O problema, vou dizer qual é. O problema é as pessoas possuírem uma auto-estima tão baixa a ponto de achar que não geram interesse em alguém por não serem tão bonitas. Isso é absurdo. A maioria das pessoas não se apaixona por estereótipos, a maioria das pessoas se apaixona por pessoas! E eu não sou diferente. Me apaixono por pessoas como um conjunto da obra, e alguns me interessam mais do que outros (em geral, os que me interessam são pessoas semelhantes. Creio que seja normal). E se a pessoa não me corresponde, não é porque sou feia, porque não sou magra, porque não tenho tanto dinheiro. É só porque não sou o tipo dela, só isso. E tudo seria muito mais fácil se todos tivessem amor-próprio o suficiente para pensar assim também.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Essa coisa de "sentimento", amor-desamor
Que negócio complicado, né? Essa história de "sentir"... Eu juro que tento, mas é bem difícil me compreender e compreender meus sentimentos. Meio que foge do padrão. A começar pelo fato de que tudo na minha vida amorosa ocorre na hora errada. Eu costumava me apaixonar bastante antes do meu primeiro (e único, até agora) namoro. Bastava uma palavrinha um pouco mais carinhosa e - bum! - lá estava eu, de novo, toda apaixonada. E claro que não era correspondida. Quase nunca. Assumo que eu devia agir totalmente errado, acho que eu demonstrava interesse, demonstrava me importar, e isso demonstrava carência, que demonstrava grude... essas coisas. A maioria pulava fora rapidinho, porque é óbvio que pessoas só gostam do que não tem. Depois que namorei, me tornei meio "pedra". Não porque eu desconfie das pessoas. Tá, eu desconfio, mas não estou falando sobre isso. É que ninguém parece me interessar ou ser o suficiente, entende? Eu sempre acabo arrumando defeito. E sabe quem são os que mais correm atrás? Aqueles do passado que me esnobaram quando eu estava apaixonada. Por isso falei que tudo ocorre na hora errada. Agora que eu não quero mais, tem um monte de "falecido" voltando à tona. Já faz 6 meses que estou sozinha, sem me apegar a ninguém e nem ter me envolvido mais com alguém. Confesso que estou começando a sentir falta. A solteirice tem aspectos muito bons, é bem legal. Mas às vezes faz falta ter alguém que se importa com você de um jeito diferente da sua mãe ou do seu irmão. Por outro lado, só de pensar em coisas como ciúme, dar satisfação, discutir, ter obrigação de ver e ligar e me importar, ter que fingir que sou um pouquinho romântica ou que adorei as flores, ter que aguentar sogra, sogro e - o pior - cunhadas, cunhados e namoradas e namorados dos cunhados, ter que fingir que sou um doce antes de poder mostrar a todos pra que eu vim ao mundo... tudo isso já me dá um pouco de preguiça. Um pouco, não - MUITA preguiça. Relacionamentos são complicados e eu sou mais complicada ainda. Eu não sou romântica, eu não vou ter crises de ciúme, eu odeio flores, eu não me importo tanto, eu sou extremamente egoísta e absurdamente orgulhosa, eu tenho preguiça de discutir relação, eu sou indecisa, não sou uma princesinha... Enfim, não sou nada daquilo que costuma se esperar de uma namorada. Sou extremamente prática, quase nunca discuto, e não corro atrás. Parece indiferença, mas juro que não é. É só meu jeito esquisito de amar, que mais parece desamor.
sábado, 28 de novembro de 2015
Você não está aqui
Oi, como você está? Está bem? Tem certeza, ou esse sorrisinho é só pra tentar esconder tudo o que se passa aí dentro? Ah, eu estou bem. Estou muito bem, aliás. Estou feliz, sabia? Sim... estou feliz como nunca estive na minha vida até então. É tão bom poder realizar sonhos e ver a vida se formando pouco a pouco. Tive que escolher sozinha alguns caminhos meus. Acostumada a ter você sempre ao lado me apoiando, confesso que em alguns momentos foi meio difícil e duro de aceitar. Realizei seu maior sonho (que não era o MEU sonho, fiz isso por você): me formei na USP! Usei capelo e beca, fiz juramento e tudo. Realizei seu sonho e você nem estava lá para ver. Agora fui atrás daquele que era o MEU grande sonho, a Psicologia. Você não estava aqui para me ajudar a escolher a melhor faculdade, você não estava aqui para comparar comigo o custo e o benefício, você não estava aqui para chorar desconto na matrícula. Tive que fazer tudo isso sozinha, do jeito que você me ensinou. Você precisava ver eu argumentando para não pagar a matrícula que queriam me cobrar, eu vi você em mim ali naquele momento. E consegui, você não estava lá, mas me ensinou direitinho. Ficaria orgulhoso de ver. Agora estou concluindo o primeiro semestre. Aprendi tanta coisa legal, você ia adorar me ouvir contar. Aliás, o meu irmão também está finalizando o primeiro semestre de Engenharia. Ele volta no carro todo animado me contando que é o melhor aluno da sala, acredita? Coisas que ele gostaria de contar para você, mas você não está aqui. Lá na escola está tudo bem. Estou indo para meu quarto ano de trabalho. Só tenho a te agradecer por você ter me incentivado a mandar meu currículo. Como sempre, você que me apoiou e me ajudou a trilhar e seguir em frente neste aspecto que foi e está sendo tão importante no meu caminho. Este ano fui auxiliar do Maternal, você precisava ver as fotos e vídeos que tenho, uma pena você não estar aqui para eu te mostrar. Você ia amar. Acredita que ensinei uma criança de 3 anos a cantar a música do alfabeto inteirinho em inglês? Valeu a pena todos aqueles anos de Cultura Inglesa, bem que você dizia que era importante. E os anos de CNA também foram importantes na minha formação, lembra que você que levou meu currículo lá? E ficou mais animado do que eu, quando eu fui chamada para trabalhar. Você morria de orgulho de ter uma filha "teacher", mesmo eu ganhando super mal, mas guardando cada centavo do que ganhava. Por falar nisso, lembra da poupança que você criou na minha conta? Continuo cuidando muito bem dela, do jeitinho que você me ensinou. Guardando lá tudo o que consigo guardar. Deste os tempos de garçonete do Buffet, lembra que você me levava às 8 horas da manhã e me buscava mais de meia-noite, em pleno domingo? Pra eu ganhar uns 50 reais... e quando juntava uns 500, você contava as notas junto comigo, e ia depositar para mim. Eu gastava o mínimo e já guardava o quanto conseguia guardar. E olha que ironia da vida, você que mais me ajudou, e foi o primeiro a tentar tirar tudo isso de mim. Tudo o que me ajudou a guardar todos esses anos, guardando junto sempre um pedacinho do meu sonho de ter meu próprio apartamento, você quase tirou de mim - o dinheiro e o sonho. Que bom que fui forte e inteligente, algo que você também me ensinou, e consegui mudar toda a situação. Muita ironia. Você quase tirar de mim o que você mesmo me ajudou a construir, depois não conseguir, porque usei da força e do pensamento calculista que você mesmo que me passou a vida toda também. Mudando de assunto, sabia que meu irmão está tirando carta? Tanto de carro quanto de moto. Ele está bastante empolgado. E eu ajudo como posso, tento ensinar ele a dirigir e explico para ele como funcionam os financiamentos de veículos. Eu tento, e dou meu melhor, embora nem sempre consiga tanto sucesso, porque isso não é um papel meu - eu assumi seu lugar, porque você não está aqui. Quem deveria estar ajudando ele era um pai, e não uma irmã. Mas pensando pelo lado positivo, que bom que eu existo. Existo e estou aqui. Por falar em carro, acho que você se orgulharia em ver a pessoa independente que estou me tornando. Fui atrás do seguro do meu carro e fiz sozinha por duas vezes, já... são pequenas coisas que parecem besteira, mas é nesses detalhes que vou vendo que estou aprendendo a viver sozinha. Ah, também fiz um cartão de crédito, e estou cuidando de fatura, anuidade, essas burocracias... Acho que me tornei uma pessoa bem parecida com você, até em alguns defeitos. Sou meio orgulhosa e muito racional. Meu irmão está se tornando parecido com você fisicamente. Teve que amadurecer cedo demais. Apesar de eu e minha mãe tentarmos com todas as nossas forças ocupar o seu lugar, o lugar continua sendo seu. Ou continuava. Quando ele mais precisou de você, você não estava aqui. Quando ele se viu de frente com a vida, tendo que escolher caminhos para trilhar, você não estava aqui. Me orgulho de mim mesma por ser madura o suficiente para aconselhar. Me orgulho de ser parecida com você o suficiente para poder ter falado para ele as coisas que você teria falado. Mas, mesmo assim, eu não sou você. A posição era sua, e você não estava aqui para ocupá-la. Sabe o pior de tudo? Acho que agora é meio tarde. Acho que nos saturamos um pouco, e ficamos tão acostumados com a sua ausência, que você parou de fazer falta. Tudo já se ajeitou e se encaixou de alguma forma. Em todos os lugares e todos os aspectos em que você fazia falta, nós três já demos um jeito de acertar tudo de modo a completar os espaços vazios. Os espaços que eram seus já não existem mais. Sofremos um luto enorme de quase dois anos, como quando alguém morre e precisamos nos adaptar a isso e reaprender a viver. A diferença é que você morreu mesmo estando vivo. Morreu e mesmo morto continuou nos magoando cada vez mais, cada mês mais. Agora já não cabem mais mágoas, porque não existe mais sentimento. Nossos três corações foram cortados e picotados em minúsculos pedacinhos por você. Agora que já nos reestruturamos, é como se você realmente tivesse morrido dentro de nós, a indiferença tomou conta, agora só nós preocupamos com questões meramente burocráticas, porque as questões emocionais já não existem. Restou apenas um pouco de dó, em meio a tanta indiferença. Você teve chances, muitas chances, enquanto ainda existia sentimento. Você podia estar aqui, foi uma escolha sua não estar. Uma escolha única e somente sua. Mas agora, sinto informar, já é tarde de mais. A palavra "amamos" ganhou uma letra "T" e virou "matamos". Te matamos. Te matamos dentro de nós.
domingo, 15 de novembro de 2015
Aquele tal de Tinder
Baixei um aplicativo chamado Tinder. As pessoas colocam algumas fotos e você pode curtir e, se ela te curtir também, dá match. Das duas, uma: ou lá só tem os encalhados, e isso justificaria o fato de todos serem péssimos, ou eu que me tornei uma pessoa muito exigente, até demais. Não consigo curtir quase ninguém por lá, por mais que eu me esforce. Meu Deus! Muito feio, não. Tá de óculos escuros, não dá pra ter certeza, melhor não. Olho azul, não. Sem camisa pra mostrar o tanquinho? Definitivamente, não. 30 anos de idade? Muito velho. Esse aqui tem 20 anos, mas essa barba deixa ele com cara de 30, portanto, muito velho, não. Muita tatuagem, não. Cara de nerd, não. Foto no Big Ben só pra mostrar que já foi pra Londres, não. Muito magro, não. Muito gordo, não. Nome estranho, não. Nenhuma foto dá pra ver os dentes? Melhor não. E estes são só alguns exemplos dos milhares de defeitos que eu consigo caçar na pessoa dentro de apenas 3 segundos olhando as fotos. Acho que eu estou exigente demais, mesmo. Chega uma etapa da vida que a gente se valoriza tanto, que parece que ninguém serve. Bom, prefiro ficar sozinha do que me sujeitar. A verdade é essa, acho. Estou exigente e, mesmo que a carência bata à porta às vezes, prefiro a solidão a ficar com alguém que não atenda a todas as minhas expectativas, que não são poucas. E nesse tal de Tinder já vi que não vai rolar...
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Não consigo me apaixonar, por favor, não insista.
Não consigo me apaixonar. Às vezes até tento, embora saiba que sentimento não é algo que podemos escolher. Me expressei mal: não é que eu tente, mas me permito. Juro que me abro para algumas pessoas, me esforço. Mas alcancei um nível de amor próprio tão intenso que não aceito na minha vida nada nem ninguém que me não me faça eu me amar ainda mais. Não vou aceitar menos do que eu acredito merecer. Não vou aceitar alguém que me queira mais ou menos. Não vou aceitar alguém que "até" aceite me ver. Eu não preciso disso. Não quero na minha vida nada nem ninguém que me faça sentir mal, ou me sentir humilhada, ou me sentir feia, ou me sentir gorda, ou me sentir chata, ou me sentir um incômodo, um peso, seja lá o que for. Não, não. Eu estou ótima em minha própria companhia. Se não for pra me sentir ainda mais feliz, mais amada, mais bonita, mais completa, eu não aceito. Não sei implorar pelo amor das pessoas, não sei correr atrás, não sei fazer nada disso, simplesmente por não precisar. Claro que é bom se apaixonar (faz tempo que não sei o que é isso, mas me lembro vagamente da sensação). É bom ter uma companhia. É maravilhoso se sentir amada. Se isso vier com o tempo, eu aceito, de coração aberto. Só não quero na minha vida alguém mais ou menos e, quanto a isso, por favor, não insista.
domingo, 1 de novembro de 2015
"Não se iluda, não" - Insegura e sonhadora
"Toda vez que me vejo diante de uma situação nova, tudo que sinto é uma insegurança gostosa no estômago. Eu não sei o que vai acontecer. Não saber o próximo passo me faz ter uma esperança tola de que qualquer coisa pode acontecer comigo a qualquer momento. Tudo aquilo que eu sempre quis pode se realizar em instantes. Ou então o meu maior pesadelo pode vir, finalmente, bater à minha porta. Mas não importa, porque quando nos cercamos de pessoas que nos fazem bem - e tenho algumas perto de mim - nada importa. Você sabe que, apesar das circunstâncias, tudo vai ser divertido e virar história para ser contada um pouco mais tarde. Sendo assim, não carrego mais os problemas comigo, resolvo o que tem pra ser resolvido e abandono aqueles que não têm solução alguma. Deixo em 'espera' e vou viver. E vivo. Posso dizer que estou mais decidida e que meus sonhos não mais se resumem a encontrar o amor verdadeiro. Mas, se me permitem dizer tal besteira, quero ser pra sempre insegura e sonhadora. Porque segurança me remete a coisas certas, escritas, gravadas em hieróglifos nas paredes. E eu não gosto de nada tão estático. Viver na corda bamba vale a pena quando você olha para si mesmo e sabe que pode se segurar. Quanto aos sonhos, sei que posso me decepcionar se não se realizarem, porém, se eu não acreditar, quem fará isso por mim?"
- Freitas, Isabela. - "Não se iluda, não", págs. 38 e 39
"Não se iluda, não" - Escrever
"Sabe, sempre gostei de escrever. Escrever é como uma terapia para mim, os sentimentos vêm e eu preciso colocá-los para fora. Em forma de palavras. Tem um modo mais bonito de sentir? Se tiver, desconheço. É como se o ato de colocar um sentimento em palavras fizesse com que ele se concretizasse"
- Freitas, Isabela - "Não se iluda, não"
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